Em uma declaração que caiu como uma bomba no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou com todas as letras que não irá pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que todos os 81 senadores assinem a solicitação.

A fala foi feita em uma reunião fechada com líderes da base governista e da oposição, e relatada pela Coluna do Estadão. Irritado, Alcolumbre não titubeou:

“Nem se tiver 81 assinaturas, ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar.”

A declaração gerou revolta imediata entre parlamentares da oposição, principalmente os alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O movimento pelo impeachment de Moraes havia ganhado força com a conquista das 41 assinaturas necessárias para protocolar o pedido, algo que foi comemorado como uma vitória pela ala mais combativa da direita no Senado.

Mas, diante da barreira imposta por Alcolumbre, o sentimento agora é de indignação e traição. O senador Carlos Portinho (PL-RJ), um dos articuladores da iniciativa, reagiu comparando o cenário ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff:

“Uma coisa de cada vez. Agora temos 41 assinaturas. Depois conseguiremos os 54 votos. Vamos comemorar a vitória de hoje”, afirmou Portinho, tentando manter o ânimo do grupo.

Nos bastidores, senadores da oposição avaliam que Alcolumbre está blindando Moraes e protegendo o STF de qualquer tentativa de responsabilização, mesmo diante do avanço das articulações.

A fala do presidente do Senado expõe o verdadeiro abismo entre a pressão popular e o fechamento das instituições em torno do Judiciário. Enquanto a oposição tenta cumprir os ritos constitucionais, a cúpula do Congresso parece disposta a engavetar qualquer movimento que incomode os ministros do Supremo.

Para muitos, a frase de Alcolumbre é o símbolo de um Senado ajoelhado diante da toga.

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