A política cuiabana voltou a mostrar que o jogo de poder é imprevisível e cheio de reviravoltas. Nesta quarta-feira (13), a ex-vereadora Edna Sampaio (PT), cassada em 2024 pela Câmara Municipal de Cuiabá, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) como suplente do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que se licenciou para abrir espaço a correligionários.

A cena carrega uma ironia difícil de ignorar: o principal articulador de sua cassação, o então presidente da Câmara Chico 2000 (PL), hoje está afastado do cargo por decisão judicial, sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção.

Cassação turbulenta

A cassação de Edna Sampaio aconteceu em 11 de setembro de 2024, em uma sessão extraordinária marcada por tensão, discussões acaloradas e votações expressivas — foram 20 votos a favor e apenas 2 contra. Ela foi acusada de se apropriar indevidamente da verba indenizatória destinada à sua chefe de gabinete, prática popularmente conhecida como “rachadinha”.

Edna não esteve presente no plenário durante a votação, acompanhando o processo de seu gabinete, e chegou a recusar o recebimento da notificação oficial. Sua defesa tentou anular o processo alegando irregularidades no rito, mas a Justiça manteve a decisão em 2025.

A queda de Chico 2000

Pouco mais de seis meses depois da cassação de Edna, o cenário se inverteu. Em abril de 2025, Chico 2000 foi alvo da Operação Perfídia, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR). Ele é investigado por envolvimento em um esquema de favorecimento a uma empresa em troca de vantagens indevidas.

A Justiça determinou seu afastamento imediato da Câmara, bloqueio de bens e apreensão de passaporte. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a medida cautelar, proibindo que ele tenha contato com a Câmara ou com testemunhas do caso. Um pedido de cassação por quebra de decoro também já foi protocolado.

Ironia do destino

Enquanto Edna retoma a vida política como deputada estadual suplente, Chico 2000 luta para se defender das acusações e evitar a perda definitiva do mandato.

Para aliados de Edna, o episódio é uma prova de que a política “dá voltas”. Já para críticos, a cena revela as contradições do sistema: uma parlamentar cassada e um presidente que liderou sua cassação agora ocupando lados opostos da mesma história ela de volta ao Parlamento, ele afastado sob investigação.

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