Luís Cláudio Sodré (MDB), ex-vereador de Cuiabá e líder do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, foi afastado de suas funções no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) nesta semana, após ter seu nome associado a investigações sobre o desvio de R$ 21 milhões da conta única do Judiciário. O caso é apurado pela Polícia Civil na Operação Sepulcro Caiado, deflagrada em 30 de julho.

Além do afastamento, Sodré responderá a uma sindicância interna, com seu cargo em risco. De acordo com a assessoria do TJMT, “ele já foi afastado das funções e responderá sindicância. Todo acesso a sistemas do TJMT foi bloqueado”.

Embora não tenha sido alvo direto da operação, que decretou 11 prisões preventivas, o nome do ex-vereador surgiu durante as investigações. Por tramitar sob segredo de Justiça, ainda não foram detalhadas suas possíveis responsabilidades.

Sodré também atuou como secretário de Governo na Prefeitura de Cuiabá durante a gestão de Pinheiro. O principal suspeito do esquema, Luís Gustavo Ricci Volpato, foi secretário de Habitação e Regularização Fundiária na mesma administração.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil, o grupo manipulava ações de cobrança judicial, simulando depósitos e inserindo comprovantes falsos nos processos, sem que as partes tivessem conhecimento. Um servidor do TJMT, alvo da operação, transferia valores da conta única do tribunal para contas vinculadas aos processos, permitindo a retirada dos fundos mediante alvará.

Foram identificados 17 processos fraudulentos entre 2018 e 2022. Com mudanças na metodologia de transferência adotadas pelo TJMT em 2023, não há registros de fraudes recentes com o mesmo modus operandi.

Foram expedidos mandados de prisão preventiva contra Wagner Vasconcelos de Moraes, Melissa Franca Praeiro Vasconcelos de Moraes, João Gustavo Ricci Volpato, Luiza Rios Ricci Volpato, Augusto Frederico Ricci Volpato, Rodrigo Moreira Marinho, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto, Régis Poderoso de Souza, Mauro Ferreira Filho e Denise Alonso.

Até o momento, apenas Mauro Ferreira Filho, servidor do TJMT que ficou foragido por oito dias, segue preso.

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