Cuiabá amarga números preocupantes na educação básica. O mais recente levantamento do Comparativo Nacional de Competência Acadêmica (CNCA) revelou que a capital caiu para a 19ª posição entre as capitais brasileiras, somando apenas 46,56 pontos em 2024, uma queda expressiva de 7,34 pontos em relação à edição anterior.

O resultado expõe uma realidade cruel: uma geração de estudantes chega ao ensino fundamental e médio sem dominar conteúdos básicos de português e matemática, reflexo de anos de abandono da política educacional pela gestão anterior. Especialistas apontam que a progressão automática, adotada como regra no passado, contribuiu para uma “geração perdida” que não consegue acompanhar o ritmo escolar.

Os números são alarmantes:

44,3% dos alunos do 5º ano estão abaixo do nível básico em matemática, contra 35,6% no 2º ano; Em língua portuguesa, a porcentagem de estudantes no nível avançado despencou de 47,4% no 2º ano para apenas 25,3% no 5º ano.

Segundo educadores, essa lacuna cria um efeito cascata: o Estado recebe alunos que não dominam operações simples de matemática nem compreendem regras básicas da língua portuguesa, comprometendo todo o aprendizado futuro e diminuindo as chances de sucesso no mercado de trabalho e em exames seletivos.

Durante visita a uma escola do ensino fundamental e médio, o prefeito Abílio Brunini constatou a gravidade da situação na prática. Ao perguntar aos estudantes: “quanto é 4 vezes 4?”, muitos não souberam responder.

“Isso é inaceitável. Estamos investindo para melhorar, mas precisamos do empenho dos alunos e acompanhamento dos pais. Educação se constrói com responsabilidade e esforço coletivo, não apenas com recursos financeiros”, afirmou Abílio Brunini.

Ele também criticou desvios de foco nas escolas:

“A prioridade da escola deve ser o aprendizado. Não podemos permitir que debates políticos ou sobre linguagem de gênero substituam o ensino de português, matemática e ciências. Nossa missão é preparar o estudante para a vida e o mercado de trabalho, e isso começa com o domínio do básico.”

Para reverter esse cenário, a atual gestão implementou uma série de medidas emergenciais:

Valorização dos profissionais da educação, com Revisão Geral Anual (RGA) de 5,12% para 10.043 servidores, elevando a folha para cerca de R$ 52 milhões mensais; Parcerias com o Estado para aulas extras e distribuição de materiais didáticos; Ampliação do programa Escola Aberta nos fins de semana; reforço nos kits escolares e uniformes; oferta de café da manhã gratuito; Plano estratégico de infraestrutura, com manutenção emergencial de telhados, banheiros, cozinhas, instalações elétricas, climatização e pintura; Revitalização completa de 28 escolas e creches, com reforma de mais 23 unidades prevista até o final do ano.

Especialistas afirmam que o quadro exige atenção imediata, sugerindo a implantação de programas de reforço em matemática e leitura e revisão na transição entre o 2º e 5º ano, onde ocorre a maior perda de aprendizado.

O alerta é claro: Cuiabá sofre hoje as consequências de anos de descaso, mas a gestão de Abílio Brunini promete virar o jogo com investimentos e planejamento estratégico, buscando recuperar o aprendizado perdido e resgatar a esperança de uma educação de qualidade para toda a capital.

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