A Bolívia vive neste domingo (17) um momento decisivo de sua história política. Após quase duas décadas sob o comando do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales e do atual mandatário Luis Arce, o país pode testemunhar a volta da direita ao poder.

O MAS chega às urnas enfraquecido, dividido e com baixíssima popularidade. Evo, impedido de disputar novamente, pediu à população que vote em branco ou anule o voto. Já Arce, desgastado pela crise econômica e pela perda de apoio, sequer tentou a reeleição. Seu candidato, Eduardo del Castilho, não alcança nem 2% das intenções de voto.

O racha interno abriu espaço para a oposição. Pesquisas apontam que os dois nomes mais fortes são justamente da direita tradicional: o empresário Samuel Doria Medina, conhecido por grandes investimentos e por já ter disputado outras eleições, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, que governou o país no início dos anos 2000. Ambos aparecem tecnicamente empatados e com chances reais de avançar ao segundo turno.

O cenário reflete não apenas a crise econômica e a escassez de dólares que atingem a Bolívia, mas também um desgaste natural após 20 anos de governo de esquerda. A aposta quase exclusiva na renda do gás natural entrou em colapso, e a falta de alternativas deixou o país em recessão e sem perspectivas claras de futuro.

Além da divisão interna do MAS, a eleição mostra o avanço de um movimento regional: o fortalecimento da direita na América Latina. A vitória de Javier Milei na Argentina e a influência de setores ligados ao bolsonarismo em Santa Cruz de La Sierra ecoam também nas urnas bolivianas, indicando uma mudança de rumo no continente.

Ainda é cedo para cravar o resultado. Pesquisas mostram que 13% dos eleitores estão indecisos e cerca de 20% pensam em votar nulo ou em branco. Mas, se a tendência se confirmar, a Bolívia pode encerrar o ciclo do MAS e abrir um novo capítulo político com a direita novamente no comando, duas décadas depois.

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