Em uma vitória estratégica para a oposição, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A eleição ocorreu em uma sessão tumultuada no Congresso Nacional, na última quarta-feira (20), com um placar apertado de 17 votos a 14, derrotando a indicação do governo, que havia apoiado o senador Omar Aziz (PSD-MA) para o cargo.

A CPMI foi criada em junho após denúncias de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, afetando mais de 6 milhões de segurados. A investigação busca apurar o envolvimento de entidades associativas e sindicatos no esquema criminoso, que teria desviado bilhões de reais dos cofres públicos.

A eleição de Viana representa uma derrota significativa para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que perdeu o controle da comissão logo no início dos trabalhos. O governo havia indicado Omar Aziz para a presidência, mas a oposição conseguiu emplacar Viana, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para liderar as investigações.

Além de Viana, o deputado Alfredo Gaspar (PL-MT) foi escolhido relator da comissão, também com apoio da oposição. A composição da CPMI reflete a força da bancada de direita no Congresso e representa um desafio direto ao governo Lula, que enfrenta críticas pela condução das investigações e pela falta de solidariedade de parte da base aliada no PT.

A expectativa é que a CPMI avance rapidamente nas apurações, com foco na responsabilização dos envolvidos e na devolução dos recursos desviados aos beneficiários do INSS. A oposição promete intensificar a pressão sobre o governo e buscar respostas para os aposentados e pensionistas que foram vítimas do esquema de fraudes. 

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