
A doença celíaca é uma condição autoimune em que o glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia, desencadeia uma reação imunológica que inflama o intestino delgado e prejudica a absorção de nutrientes essenciais. Isso pode levar a anemia, fadiga, osteoporose e complicações mais graves, como infertilidade e alguns tipos de câncer, segundo a Fundação Americana para a Doença Celíaca (Celiac Disease Foundation)
Quem é afetado?
A doença atinge cerca de 1% da população mundial, mas no Brasil estima-se que 2 milhões de pessoas convivam com a condição, sendo que a maior parte ainda não foi diagnosticada. De acordo com a Federação Nacional de Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA), apenas 1 em cada 8 portadores sabe que é celíaco, evidenciando o subdiagnóstico da doença
Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico exige atenção médica. Segundo a Sociedade Brasileira de Gastroenterologia (SBG), primeiramente são feitos exames de sangue para detectar anticorpos específicos contra o glúten, como anti-transglutaminase (tTG) e anti-endomísio (EMA). A confirmação definitiva ocorre por meio de biópsia do intestino delgado, que avalia a atrofia das vilosidades intestinais. Em casos especiais, testes genéticos (HLA-DQ2 DQ8) podem ser realizados, principalmente em familiares de pacientes celíacos
Sem cura, mas com controle
Embora não haja cura, a doença celíaca pode ser controlada com dieta totalmente sem glúten, conforme recomendação do Ministério da Saúde e do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Doença Celíaca. Com a exclusão do glúten, o intestino se regenera e os sintomas desaparecem
Estudos clínicos mostram que em crianças até 95% recuperam a mucosa intestinal em até 2 anos, enquanto em adultos 34% recuperam em 2 anos e 66% em 5 anos
Acompanhamento essencial
Segundo a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN), mesmo após a adoção da dieta, é necessário acompanhamento médico e nutricional para monitorar deficiências de ferro, vitaminas e minerais, avaliar a densidade óssea, prevenindo osteoporose, e evitar contaminação cruzada, especialmente em restaurantes e cozinhas compartilhadas. Alimentos naturalmente sem glúten ou pseudo-cereais, como quinoa, amaranto e trigo sarraceno, ajudam a manter a alimentação equilibrada
Vida sem glúten: desafio e superação

O Ministério da Saúde alerta que fora de casa a dieta pode ser um desafio devido à contaminação cruzada ou informações incompletas em cardápios e embalagens. Ainda assim, pacientes que seguem corretamente a dieta relatam melhora rápida e significativa dos sintomas, maior disposição e melhor qualidade de vida






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