
O Banco Central anunciou mudanças importantes no funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, sistema criado para proteger usuários que caem em golpes ou sofrem transferências indevidas. As novas regras entram em vigor a partir de 1º de outubro de 2025 e prometem tornar o processo de contestação mais rápido, digital e eficiente.
Entre as principais alterações está a possibilidade de o próprio usuário solicitar a análise da transação suspeita diretamente pelo aplicativo do banco, sem precisar ligar para centrais de atendimento ou comparecer presencialmente às agências. Esse autoatendimento digital deve reduzir a burocracia e garantir mais agilidade para quem precisa reaver valores transferidos de forma fraudulenta.
Outra mudança significativa é a ampliação da abrangência do MED. Até agora, a devolução dos recursos dependia exclusivamente da conta de destino inicial, que muitas vezes era esvaziada rapidamente pelos golpistas. Com a atualização, o bloqueio e a devolução também poderão ser realizados a partir de outras contas envolvidas no caminho da transação, aumentando as chances de recuperação do dinheiro.
O Banco Central também definiu um prazo máximo: uma vez acionado, o MED terá até 11 dias úteis para garantir a devolução dos valores, desde que a fraude seja confirmada pelas instituições financeiras envolvidas.
Um avanço necessário
Apesar de o Pix ter se consolidado como um dos meios de pagamento mais seguros e práticos do país, as fraudes digitais cresceram junto com sua popularização. Segundo dados do setor, o atual modelo do MED tem baixa efetividade: apenas cerca de 9% dos pedidos de devolução resultaram em estorno de valores em 2023, em grande parte porque o dinheiro já havia sido transferido para outras contas.
Diante desse cenário, o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) vêm desenvolvendo o chamado “MED 2.0”, versão aprimorada do mecanismo que promete fechar brechas exploradas por criminosos digitais.
Impacto para os usuários
Com as novas regras, especialistas avaliam que as vítimas terão mais clareza, rapidez e segurança no processo de contestação. A medida também pressiona os bancos a adotarem tecnologias de rastreamento mais eficientes e a reforçarem os mecanismos de proteção.
Ainda assim, autoridades alertam que nenhuma atualização tecnológica substitui a atenção do usuário. Golpes por meio de links falsos, contatos de supostos atendentes e transferências feitas sob pressão psicológica continuam entre as principais estratégias usadas por criminosos.
O que muda, em resumo:
Solicitação de devolução poderá ser feita pelo aplicativo do banco, sem intermediação humana;
Possibilidade de bloqueio e devolução a partir de outras contas envolvidas no fluxo do dinheiro;
Prazo máximo de 11 dias úteis para conclusão do processo;
Maior chance de recuperação de valores em casos de fraude.
Com essas medidas, o Banco Central busca equilibrar inovação e segurança, reforçando a confiança do público em um sistema que já movimenta trilhões de reais por ano no Brasil.






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