
O arcebispo de Cuiabá, Dom Mário Antônio da Silva, participou recentemente em Brasília de um evento ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva, durante o lançamento do projeto-piloto “Cozinhas Solidárias Sustentáveis”, coordenado pela Cáritas Brasileira. A iniciativa, que promete promover segurança alimentar e justiça social, ganhou atenção não apenas pelo tema, mas principalmente pelo envolvimento de figuras públicas de perfis tão distintos.
A presença de Dom Mário ao lado de Janja surpreendeu parte do público, sobretudo entre católicos conservadores e evangélicos, que questionam a aproximação da Igreja com uma figura polêmica no cenário nacional. Para muitos, a participação do arcebispo confere uma espécie de “legitimação” a uma primeira-dama que, ao longo de sua trajetória, tem se associado publicamente a religiões de matriz africana, como o candomblé.

Janja, embora nunca tenha declarado formalmente sua fé, já visitou terreiros de candomblé e tem sido alvo frequente de críticas nas redes sociais por sua ligação simbólica com essas práticas. Em 2022, ela chegou a receber centenas de ataques por intolerância religiosa, sendo rotulada de “macumbeira” por internautas que consideram sua postura incompatível com os valores cristãos tradicionais. Para esse público conservador, essas atitudes reforçam uma imagem de Janja como uma figura alinhada a práticas que divergem do cristianismo tradicional, o que aumenta a rejeição em certos segmentos da sociedade.
Especialistas em comportamento político afirmam que a repercussão negativa em grupos conservadores não se dá apenas pela participação em eventos religiosos, mas pelo simbolismo dessa associação. A presença do arcebispo ao lado de Janja em Brasília, portanto, acabou se tornando foco de debates sobre a postura da Igreja e o papel da primeira-dama na promoção de projetos sociais. Para muitos conservadores, essa aproximação levanta questionamentos sobre os valores que estão sendo endossados em nome de políticas sociais.
Apesar das críticas, Janja segue firme em suas convicções, defendendo a pluralidade religiosa e afirmando que sua identidade está ligada à diversidade cultural e espiritual do Brasil. Porém, para o público conservador, a mensagem transmitida é preocupante: a primeira-dama continua mantendo vínculos simbólicos com religiões de matriz africana, enquanto a Igreja local, representada pelo arcebispo de Cuiabá, participa oficialmente de eventos ao seu lado.
Essa situação reforça o debate sobre os limites da convivência entre figuras públicas ligadas a tradições religiosas distintas e a percepção de influência ideológica sobre instituições religiosas. Para muitos eleitores conservadores, a ação do arcebispo pode ser interpretada como um gesto que desagrada parte da base cristã, que ainda espera da Igreja uma postura mais alinhada aos princípios do cristianismo tradicional.






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