Em um país que se orgulha da diversidade e possui leis contra discriminação, é simplesmente absurdo que, em pleno 2025, ainda tenhamos que noticiar casos de racismo no ambiente de trabalho. A história de Noemi Ferrari, que só agora ganha repercussão pública e decisão judicial, escancara essa realidade.

Noemi foi contratada em 2018 por uma unidade da farmácia Raia Drogasil, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Logo no primeiro dia, durante sua apresentação aos colegas, uma funcionária gravou um vídeo com declarações ofensivas e racistas:

“Tá escurecendo a nossa loja? Acabou a cota, tá, gente? Negrinho não entra mais.”

Em seguida, a agressora ironizou as funções que Noemi poderia exercer:

“Vai ficar no caixa? Que incrível. Vai tirar lixo? Que incrível. Paninho também, passar no chão?”

O constrangimento foi imediato. Sem reação, Noemi chorou no banheiro. Ainda assim, decidiu permanecer no emprego. Em 2020, chegou a ser promovida a supervisora. Anos depois, em 2022, foi demitida por um supervisor que, segundo ela, a agrediu verbalmente e quase fisicamente. Foi então que decidiu procurar a Justiça.

Em março de 2025, a Justiça do Trabalho condenou a Raia Drogasil ao pagamento de R$ 56 mil por danos morais. Em outra decisão, o valor foi fixado em cerca de R$ 37 mil. Para o Judiciário, o episódio configurou racismo e ofensa à dignidade da trabalhadora.

Mais que um escândalo, uma vergonha histórica

O caso de Noemi vai além de um simples escândalo: é uma demonstração clara de como o racismo ainda se infiltra em ambientes que deveriam ser seguros. Palavras depreciativas, mesmo disfarçadas de brincadeira, causam danos reais e profundos à dignidade de quem as sofre.

Além disso, a resposta das empresas continua sendo insuficiente. O episódio ocorreu em 2018, mas só em 2025 houve uma condenação com repercussão pública um atraso que evidencia a fragilidade das políticas internas de combate à discriminação.

O impacto emocional é outro ponto crucial. Noemi relatou a humilhação e o choque inicial, sentimentos que ela precisou esconder enquanto tentava continuar trabalhando. O trauma causado por essas atitudes não desaparece com o tempo, e a reparação tardia da Justiça, embora importante, não apaga os anos de sofrimento.

Esse caso serve como alerta: ainda estamos longe de garantir que todos os trabalhadores tenham um ambiente de respeito e dignidade. Cada atraso na resposta institucional e cada agressão “normalizada” reforça o peso histórico do racismo no Brasil.

Reflexão final

É inaceitável que, em pleno 2025, ainda tenhamos que afirmar o óbvio: racismo é crime. O caso de Noemi mostra como a prática continua sendo mascarada de “piada” ou “brincadeira”, revelando que o país ainda carrega feridas profundas.

A história de Noemi não é isolada. Ela representa milhares de trabalhadores que ainda precisam lutar para garantir algo básico: respeito e dignidade.

Veja o vídeo

Deixe um comentário

Tendência