A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (16/09) a Operação Primatus, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso vinculado a uma facção que controlava atividades ilegais em Aripuanã. O esquema envolvia tráfico de drogas e extorsão de garimpeiros e compradores de ouro. 

A ação é coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pela Delegacia de Aripuanã. 

Principais medidas da operação

Cumprimento de 26 mandados de prisão preventiva; a maioria deles em Aripuanã, com apenas 4 detidos em penitenciárias de Cuiabá.  26 mandados de busca e apreensão expedidos.  Bloqueio de valores de até R$ 1 milhão.  Sequestro de quatro veículos de alto valor: uma RAM 3500, uma Toyota Hilux, um Chevrolet Camaro e uma Dodge Ram.  Suspensão das atividades de duas empresas locais uma de terraplanagem e outra de comércio de alimentos. 

Estrutura criminosa identificada

A investigação, que durou cerca de dois meses, revelou uma estrutura organizada com divisão clara de funções: liderança, julgamento interno, aplicação de castigos (conhecidos como “salves”), controle de qualidade dos entorpecentes, distribuição de drogas e extorsões a comerciantes.  O grupo utilizava estratégias de controle social e coação: distribuía cestas básicas a famílias vulneráveis financiadas com dinheiro do tráfico ou obrigava pessoas a comprar essas cestas como forma de penalização se houvesse descumprimento de normas impostas pela facção.  Em especial, havia um braço criminoso voltado à extorsão de garimpeiros, compradores de ouro e proprietários de áreas de mineração. Cobranças de até 2% sobre a comercialização do ouro e sobre a venda de áreas de exploração foram identificadas. 

Envolvimento e atuação das forças policiais

Participaram da Operação cerca de 80 policiais civis, apoiados pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), pelo Ciopaer, e por delegacias regionais de Alta Floresta, Guarantã do Norte, Juína, Sinop e Tangará da Serra.  A Operação Primatus contou com 62 ordens judiciais expedidas: entre elas, mandados de prisão, bloqueios, sequestros, buscas e apreensões, e suspensões de empresas. 

Considerações finais

A Operação Primatus revela a complexidade do controle que algumas facções criminosas exercem em áreas remotas, inclusive impondo taxas ilegais sobre atividades econômicas legítimas, como o garimpo. O esforço investigativo evidencia também como essas organizações combinam violência, coação econômica e estratégias sociais para manter influência e poder local. 

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