A Grande São Paulo enfrenta uma série de intoxicações fatais associadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A Prefeitura de São Bernardo do Campo confirmou, nesta segunda-feira (29), a terceira morte por intoxicação por metanol no município. O caso mais recente envolve um homem de 38 anos que faleceu após consumir uma bebida contaminada. Anteriormente, outras duas mortes haviam sido registradas: uma na capital paulista e outra em São Bernardo do Campo. 

O que é o metanol e como ele afeta a saúde?

O metanol é um álcool industrial utilizado como solvente, combustível e na fabricação de plásticos e tintas. Quando ingerido, mesmo em pequenas quantidades, pode ser altamente tóxico. No organismo, o metanol é metabolizado a formaldeído e ácido fórmico, substâncias que afetam o sistema nervoso central e podem causar cegueira, insuficiência renal e até a morte. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, náusea, visão turva e sonolência. Se não tratado, o envenenamento pode evoluir para coma e falência múltipla dos órgãos. 

Investigação e possíveis ligações com o crime organizado

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo registrou seis casos confirmados de intoxicação por metanol desde junho, com dois óbitos entre eles. Além disso, há dez casos sob investigação, todos na capital paulista. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) levantou a suspeita de que o metanol utilizado para adulterar bebidas alcoólicas possa ser o mesmo importado ilegalmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para adulterar combustíveis. A ABCF aponta que o fechamento de distribuidoras ligadas ao crime organizado pode ter levado à revenda desse metanol para destilarias clandestinas e falsificadores de bebidas, resultando em intoxicações em bares e casas noturnas. 

Recomendações das autoridades

Diante da gravidade da situação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu um alerta recomendando que estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas no estado de São Paulo redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos. A população é orientada a adquirir apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa. Sintomas como visão turva, dor de cabeça e náusea devem ser tratados como suspeita de intoxicação por metanol. 

Histórico de casos semelhantes

Este não é o primeiro surto de intoxicação por metanol no Brasil. Em 1990, episódios semelhantes ocorreram na Bahia e no Piauí, conhecidos como o caso da “cachaça da morte”, resultando em mortes e hospitalizações devido ao consumo de bebidas adulteradas

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