
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um novo front na batalha dos reajustes: enviou ao Congresso Nacional um projeto que prevê um aumento de 24% para servidores do Judiciário da União, parcelado em três vezes até 2028.
Na justificativa, a Corte fala em recompor perdas inflacionárias e conter a saída de servidores para outros órgãos. Mas, na prática, a proposta escancara um contraste gritante: quando se trata de quem já ganha muito, o aumento vem gordo; quando é para quem ganha pouco, o reajuste mal cobre a inflação.
O peso do aumento no topo e na base
Um servidor médio que ganha R$ 5 mil verá R$ 400 a mais no salário já na primeira parcela. Para quem recebe salários menores dentro da estrutura do Judiciário, o ganho também é sentido no bolso.
Mas, no topo, a história é outra. Ministros e desembargadores, já no teto do funcionalismo (cerca de R$ 46,3 mil), dificilmente sentirão diferença. Ou seja: quem está no alto continua blindado, enquanto a base tem algum alívio — ainda assim, distante da realidade da maioria dos brasileiros.
Enquanto isso, no Brasil real…
Em janeiro, o governo fixou o salário mínimo em R$ 1.518, reajuste de apenas 7,5%. Traduzindo: pouco mais de R$ 106 no bolso de quem depende dele para sobreviver.
A comparação é cruel: em três anos, os servidores do Judiciário terão ganhos três vezes maiores que os trabalhadores que recebem o mínimo. Em valores absolutos, um único aumento de 8% no Judiciário já rende quase quatro vezes o que o salário mínimo subiu neste ano inteiro.
O choque de realidades
O contraste levanta uma pergunta inevitável: como justificar aumentos generosos para quem já tem estabilidade e altos salários, enquanto milhões de brasileiros veem reajustes tímidos que mal acompanham a alta do arroz, do feijão e do aluguel?
O projeto (PL 4.750/2025) vai agora ao Congresso, onde promete inflamar debates. Para muitos, o STF acendeu o estopim de mais uma polêmica que coloca em lados opostos duas realidades: a elite do funcionalismo e o trabalhador que luta todo mês para fechar as contas.






Deixe um comentário