
O governo de El Salvador anunciou uma nova norma que proíbe o uso da chamada linguagem inclusiva em todas as escolas públicas e nas comunicações oficiais do Ministério da Educação. A medida foi oficializada por meio do Memorando nº 22-2025, assinado pela ministra Karla Edith Trigueros e sancionado pelo presidente Nayib Bukele.
De acordo com o documento, o objetivo é garantir o bom uso do idioma espanhol e evitar influências ideológicas que, segundo o governo, poderiam comprometer o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
Com a decisão, ficam vetadas expressões como “amigue”, “compañere”, “niñe” e “nosotrxs”, classificadas pelas autoridades como deformações linguísticas. A proibição se estende a materiais didáticos, livros escolares, comunicados internos, circulares, avisos institucionais e toda correspondência oficial do Ministério da Educação.
Por enquanto, as escolas privadas não estão incluídas na norma.
A medida gerou reações imediatas. Autoridades que apoiam a decisão afirmam que ela preserva a clareza e a unidade da língua espanhola, além de evitar que debates ideológicos sobre gênero cheguem às salas de aula. Já organizações de direitos humanos, coletivos feministas e representantes da comunidade LGBTIQ+ consideram a ação um retrocesso, argumentando que ela pode apagar identidades e restringir formas de expressão.
Ainda não foram detalhados os mecanismos de fiscalização nem as possíveis sanções para quem descumprir a determinação, mas direções escolares já receberam orientações para aplicá-la imediatamente.
Com isso, El Salvador passa a integrar a lista de países latino-americanos que restringem oficialmente o uso da linguagem inclusiva em instituições públicas, reacendendo o debate sobre o papel do Estado na regulação da diversidade linguística e de gênero nas escolas.






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