Nos últimos 30 dias, o governo federal destinou R$ 8,5 milhões a anúncios pagos nas redes sociais, um aumento de 360% em relação aos dois meses anteriores. A maior parte desse montante foi investida na promoção de um projeto de lei que isenta do Imposto de Renda pessoas com salários abaixo de R$ 5 mil. Segundo dados da Meta, dona do Facebook e Instagram, o governo federal é o maior anunciante de conteúdos políticos nessas plataformas no Brasil.

Esse investimento maciço em publicidade digital levanta questões sobre o uso de recursos públicos para fins eleitorais. Embora a isenção do Imposto de Renda seja uma medida que beneficia a população, a forma como está sendo divulgada sugere uma estratégia de marketing político disfarçada de ação governamental. A utilização de plataformas como Facebook e Instagram para impulsionar conteúdos relacionados a projetos de lei em andamento é uma prática que se aproxima mais de uma campanha eleitoral do que de uma comunicação institucional.

Além disso, o aumento significativo nos gastos com publicidade digital ocorre em um momento de cortes orçamentários em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Enquanto o governo destina milhões para promover suas ações nas redes sociais, serviços públicos fundamentais enfrentam escassez de recursos. Essa disparidade entre investimentos em marketing e a realidade dos serviços públicos é um reflexo claro de prioridades equivocadas.

Em um cenário de crise fiscal e necessidade de austeridade, o governo deveria focar seus esforços na melhoria dos serviços públicos e na redução de gastos desnecessários. Investir em propaganda digital em larga escala, especialmente quando se aproxima o período eleitoral, é uma estratégia que não apenas desvia recursos de áreas prioritárias, mas também compromete a credibilidade das ações governamentais.

É fundamental que a população esteja atenta a essas práticas e questione o uso de recursos públicos para fins eleitorais. A transparência e a responsabilidade fiscal devem ser princípios norteadores da gestão pública, não a promoção de imagem pessoal ou partidária.

Em vez de investir milhões em publicidade digital, o governo deveria priorizar investimentos em áreas que realmente impactam a vida da população, como saúde, educação e segurança. Somente assim será possível construir uma gestão pública eficiente e comprometida com o bem-estar da sociedade

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