
Após uma vistoria, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de superfaturamento e possíveis desvios de cerca de R$ 10,6 milhões em obras de recuperação de estradas vicinais em Mato Grosso, com recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), atualmente comandado por Carlos Fávaro.
O relatório também apontou falhas como estrutura frágil da política pública para estradas vicinais e distribuição desigual de recursos entre os estados. O ministério tem 180 dias para esclarecer o caso.
As suspeitas surgiram em convênios firmados com municípios como Canarana, Alta Floresta, Querência e Gaúcha do Norte. A fiscalização foi solicitada pelo Congresso Nacional devido aos repasses expressivos feitos pelo MAPA entre 2019 e 2023 — cerca de R$ 9,2 bilhões — dos quais R$ 297,3 milhões foram inspecionados.
De acordo com o relator do processo, ministro Walton Alencar Rodrigues, o programa destinado à melhoria das estradas não possui diagnósticos prévios, critérios claros para escolher os beneficiados, indicadores para medir resultados e controle da eficiência dos gastos. Também foi detectada desigualdade no repasse de recursos entre os estados.
Outro ponto criticado foram procedimentos de licitação presenciais sem justificativa adequada — o que diminui a competitividade e tende a elevar os preços dos contratos. Em Canarana, há indícios de superfaturamento na obra da estrada RM-01: erros no projeto básico e falhas na fiscalização teriam permitido pagamentos exagerados.
Segundo a auditoria, foi pago quase R$ 1,6 milhão por transporte de cascalho que não foi realizado. As investigações mostram que o custo real estaria em torno de R$ 96 mil, gerando diferença de cerca de R$ 1,5 milhão. Ainda foram identificados R$ 3,8 milhões em sobrepreço e R$ 5,2 milhões em gastos indevidos com custeio






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