Dados recentes de organizações que monitoram a violência contra a população LGBTQIA+ apontam para um novo recrudescimento dos crimes no Brasil, com aumento nos números de homicídios de travestis, pessoas trans e homens gays em 2023 — primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Levantamentos do Grupo Gay da Bahia (GGB) e da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), além de dossiês que reúnem informações de entidades de defesa dos direitos LGBTI+, indicam que foram registradas centenas de mortes violentas no ano. As contagens compiladas apontam para dezenas de vítimas trans e travestis, e para uma alta no total de homicídios atribuídos a motivações relacionadas à LGBTfobia. Esses números colocam o Brasil novamente entre os países com os índices mais elevados de assassinatos contra pessoas trans no mundo. 

Ativistas e representantes das organizações ouvidas pela imprensa afirmam que o quadro resulta de fatores estruturais: impunidade, discurso de ódio difundido nas redes sociais e políticas públicas insuficientes para prevenção e acolhimento. Para a ANTRA, a violência é sistêmica e demanda uma resposta estatal robusta e coordenada — algo que, segundo ativistas, ainda está aquém do necessário. 

O crescimento dos registros também levanta questões metodológicas. Especialistas alertam que variações anuais podem refletir mudanças na forma de coleta de dados, maior visibilidade das denúncias ou uma ampliação da cobertura jornalística, além do próprio aumento das ocorrências. Por isso, defendem-se estudos contínuos e padronizados para compreender a dimensão real do problema. 

Em resposta à onda de violência, o governo federal lançou, em 2023, o Plano Nacional de Promoção dos Direitos LGBTQIA+, com medidas anunciadas para fortalecer investigações de crimes de ódio e ampliar serviços especializados de atendimento. Organizações da sociedade civil, porém, relatam execução lenta e pedem ações mais imediatas e eficazes para reduzir a vulnerabilidade das populações mais afetadas. 

Enquanto isso, ativistas reclamam por investigação rigorosa dos casos, políticas de prevenção e programas que enfrentem a cultura da discriminação. Para grupos de defesa dos direitos humanos, sem medidas concretas de proteção e responsabilização, o Brasil corre o risco de manter ou até agravar um mapa de violência que já é considerado um problema crônico de direitos humanos. 

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