A Justiça Eleitoral de Mato Grosso confirmou, nesta semana, a cassação do mandato do vereador Ary da Costa Campos (PT), eleito em Rondonópolis com 1.960 votos. A decisão considerou que sua campanha nas eleições municipais de 2024 foi marcada por abuso de poder econômico e compra de votos, com auxílio de recursos oriundos da facção criminosa Comando Vermelho (CV). 

Segundo o acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), os embargos da defesa foram rejeitados, mantida a sentença que já havia cassado o vereador em primeira instância.  A Justiça concluiu que Ary Campos se beneficiou de apoio logístico ou financeiro da facção para alavancar votos, configurando lesão à lisura do processo eleitoral. 

Com a confirmação da cassação, a Câmara Municipal de Rondonópolis foi notificada e procedeu à formal declaração de extinção do mandato, conforme rito interno, abrindo caminho para que o suplente assuma a vaga dentro do prazo legal.  A decisão passou a ter efeito imediato, embora seja possível que a defesa interpõe recursos nas instâncias superiores. 

Durante o processo eleitoral, Ary Campos já havia sido alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pela Polícia Civil em setembro de 2024, que investigava o financiamento de campanhas políticas por facções criminosas, inclusive o Comando Vermelho.  Em 2025, um assessor ligado ao parlamentar foi preso durante outra operação (Operação Eclipse), apontando cruzamentos investigativos que reforçaram suspeitas sobre vínculos entre o mandato e organização criminosa. 

Críticos do episódio afirmam que o caso evidencia a urgência de mecanismos de fiscalização mais rigorosos nas campanhas municipais, especialmente na verificação de fontes de recursos e possíveis ingerências de grupos criminosos no processo eleitoral. Por outro lado, a defesa de Ary Campos contesta as acusações, alegando que não há provas diretas de que ele tenha atuado em conluio com a facção, e pretende recorrer da decisão nas instâncias superiores. 

O episódio abala não apenas a imagem do parlamento local, mas reacende o debate sobre como combater a utilização de organizações criminosas como agentes de influência e captação eleitoral. O suplente deverá assumir o cargo nos próximos dias, seguindo os trâmites legais e regimentais da Câmara Municipal de Rondonópolis.  

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