Em uma operação de tirar o fôlego, a Polícia Civil de Mato Grosso derrubou nesta quarta-feira (14/10) uma rede criminosa que movimentava milhões por meio de jogos de azar ilegais, financiando uma facção que atua dentro e fora dos presídios. Batizada de Operação Raspadinha do Crime, a ação cumpriu 111 mandados em mais de 20 cidades, incluindo prisões, bloqueios, buscas e quebras de sigilo, conseguindo apreender bens e valores que ultrapassam R$ 1,1 milhão.

A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), revelou um verdadeiro exército financeiro: uma estrutura hierarquizada, com núcleo estratégico na capital, operações financeiras espalhadas pelo estado e representantes locais responsáveis pelo recolhimento dos bilhetes e controle contábil. 

Tudo isso sob a fachada de uma empresa de raspadinhas instantâneas terreno fértil para lavagem de dinheiro. Em seis meses, foram apurados mais de R$ 3 milhões em movimentações suspeitas. 

Entre as mais de vinte cidades em que houve operação estão Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra, Rondonópolis, Nova Mutum, Juína, Colniza, entre outras. A amplitude da rede mostra que o esquema ia muito além de um ponto local ou pequeno, operando realmente em nível estadual. 

Segundo o delegado Antenor Pimentel, a ofensiva representa um golpe direto no “braço econômico” da facção, desmontando uma estrutura que misturava tecnologia, venda disfarçada, manipulação social e engenharia financeira. A investigação continua, com objetivo de identificar ramificações interestaduais e recuperar os valores desviados. 

A operação Raspadinha do Crime integra o programa Tolerância Zero, do governo estadual, além de fazer parte da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). 

Com mandados de prisão preventiva, bloqueios bancários, sequestro de valores e até a apreensão dos materiais de propaganda e dos bilhetes de raspadinhas, esta ação da polícia marca um momento decisivo na luta contra o crime organizado em Mato Grosso. A mensagem é clara: os que pensam em prosperar com ilegalidades, mascarados de legalidade, terão que responder – não apenas aos cidadãos, mas à Justiça.

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