Uma pesquisa recente divulgada por institutos de segurança pública e órgãos de inteligência aponta que mais de 23,5 milhões de brasileiros com mais de 16 anos vivem em áreas com forte presença de facções criminosas ou milícias.  Segundo o estudo encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, trata-se de cerca de 11% da população adulta do país que convive direta ou indiretamente com o domínio territorial de organizações criminosas. 

Esse cenário se acentua nas grandes cidades: nas capitais e regiões metropolitanas, 20% dos moradores relatam presença explícita de milícias ou facções em seus bairros.  Nas periferias dessas áreas, o índice é de 17%. Já em municípios do interior, 11% dos entrevistados afirmam vivenciar situação similar. 

Impacto nas rotinas locais

Os entrevistados foram questionados se a região em que vivem já sofreu com ações visíveis de grupos armados, como cobranças de “taxas de segurança”, controle de serviços como fornecimento de água e luz ou repressão sobre movimentações sociais.  Muitos responderam afirmativamente, evidenciando que o domínio desses grupos supera o plano puramente criminal e adentra a esfera da regulação social informal.

Além disso, o estudo aponta que 14 milhões de pessoas conhecem cemitérios clandestinos em suas localidades, e 10 milhões disseram que algum parente ou conhecido desapareceu nos últimos 12 meses.  Essas estatísticas, segundo pesquisadores, podem indicar que parte da violência praticada pelos grupos não está sendo contabilizada nas estatísticas oficiais de homicídios e desaparecimentos seja por controle territorial dos criminosos, seja pela ausência de fiscalização aprofundada. 

Expansão e influência

Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV), historicamente presentes em determinados estados, ampliaram sua atuação nacionalmente, inclusive com ramificações internacionais.  Essa expansão ocorre não só por vias tipicamente clandestinas tráfico de drogas, armas e contrabando mas por meio de estratégias de cooptação social, infiltração em instituições e operações de lavagem de dinheiro. 

Para analistas de segurança, o Estado enfrenta lacunas profundas de controle territorial em áreas periféricas e menos assistidas, que acabam servindo como “espaços cedidos” ao poder paralelo. 

Deixe um comentário

Tendência