Um levantamento baseado em dados oficiais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 revela um aumento impressionante nos gastos com emendas parlamentares durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a média anual nas gestões anteriores se mantinha em torno de R$ 19 bilhões, os valores saltaram para R$ 37,3 bilhões em 2023 e chegaram a R$ 49 bilhões em 2024, um aumento de cerca de 160% em relação às administrações anteriores.

Especialistas e críticos apontam que esse crescimento vertiginoso reflete a dependência do governo em usar as emendas parlamentares como principal instrumento para garantir apoio e governabilidade no Congresso Nacional.

O salto é ainda mais evidente ao comparar a execução das emendas entre governos: as emendas individuais, obrigatórias por lei, passaram de R$ 10,7 bilhões no último ano do governo anterior para R$ 20,6 bilhões em 2023. Já as emendas de comissão, tradicionalmente menores, cresceram de R$ 308 milhões para R$ 6,6 bilhões no mesmo período, um aumento de mais de 2.000%.

Em 2024, as emendas parlamentares chegaram a representar 27% das despesas discricionárias da União, totalizando R$ 40,89 bilhões. O crescimento acelerado levanta questões sobre transparência e eficiência na aplicação desses recursos, reforçando a percepção de que, mais do que uma ferramenta de planejamento orçamentário, as emendas têm se tornado um instrumento político estratégico.

O debate sobre o uso das emendas parlamentares mostra que, para além de garantir apoio no Congresso, o governo precisa equilibrar governabilidade com responsabilidade fiscal e transparência, evitando que o aumento expressivo de recursos sirva apenas como moeda de negociação política.

Deixe um comentário

Tendência