O Ministério Público da Bolívia formalizou uma denúncia contra o ex-presidente Evo Morales, acusando-o de tráfico de pessoas e de manter relações sexuais com uma menor de idade durante seu mandato. A denúncia foi apresentada pela Procuradoria Departamental de Tarija, que também emitiu um mandado de prisão contra Morales. O ex-presidente, por meio de seu advogado, alegou não ter sido notificado adequadamente e classificou as acusações como uma “guerra suja” política.

Morales não compareceu às audiências agendadas, justificando sua ausência por motivos de saúde. Em resposta, a promotora Sandra Gutiérrez solicitou uma avaliação médica do ex-presidente. O juiz de Tarija determinou que uma nova ausência resultaria em sua consideração como “in absentia” e a emissão de um mandado de prisão.

Em abril de 2025, uma juíza anulou o mandado de prisão, argumentando que o processo deveria ser conduzido por um tribunal em Villa Tunari, reduto político de Morales. A defesa do ex-presidente alega que o caso foi encerrado em 2020 e reaberto posteriormente sem justificativa legal adequada.

Morales, que governou a Bolívia por três mandatos, anunciou sua intenção de concorrer novamente à presidência nas eleições de 2025, apesar das restrições constitucionais à reeleição. Ele e seus apoiadores consideram as acusações como parte de uma estratégia para impedi-lo de retornar ao poder.

A situação continua a gerar divisões políticas no país, com aliados de Morales bloqueando rodovias e mantendo sua presença no Trópico de Cochabamba, enquanto o governo e a oposição pressionam por uma resolução judicial do caso.

Além disso, é importante destacar que Evo Morales e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantiveram uma relação estreita ao longo dos anos. Ambos lideraram movimentos de esquerda na América Latina e compartilharam interesses políticos e ideológicos. Essa amizade foi evidenciada em diversas ocasiões, como quando Morales afirmou que sua amizade com Lula salvou a relação entre Brasil e Bolívia durante a nacionalização dos recursos energéticos, que afetou as operações da Petrobras. Lula, por sua vez, expressou solidariedade a Morales em momentos de crise política na Bolívia, como durante sua renúncia em 2019.

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