
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (22), uma sugestão legislativa que propõe o retorno do voto impresso nas urnas eletrônicas brasileiras. A medida, apresentada como uma iniciativa popular, reacende o debate sobre a transparência e a credibilidade do sistema eleitoral do país, tema que há anos divide opiniões entre especialistas, políticos e eleitores.
O texto aprovado sugere que cada voto registrado eletronicamente também tenha um comprovante físico impresso pela urna, permitindo auditorias e recontagens em caso de questionamentos. A proposta foi encaminhada por meio do portal e-Cidadania, plataforma de participação social do Senado, e recebeu o apoio de mais de 20 mil cidadãos.
O autor da sugestão é Thomas Raymund Korontai, do Paraná, que defende a inclusão da medida na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97). Para ele, o voto impresso é um passo essencial para reforçar a confiança dos eleitores e tornar o processo eleitoral mais transparente. Segundo o texto apresentado, o sistema continuaria sendo eletrônico, mas passaria a incluir uma etapa adicional. Após o eleitor confirmar seu voto, a urna imprimiria automaticamente um comprovante que poderia ser visualizado através de uma pequena janela. Esse comprovante não seria entregue ao eleitor, mas depositado de forma automática em uma urna física lacrada, garantindo o sigilo e evitando qualquer tipo de manipulação. O registro impresso serviria como respaldo em auditorias ou contagens paralelas, oferecendo uma camada extra de verificação do resultado final. A expectativa é que o novo modelo possa ser testado de forma experimental nas eleições de 2026, em locais definidos pela Justiça Eleitoral.
O relator da matéria, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), votou favoravelmente e destacou que a impressão do voto é uma ferramenta legítima de transparência e de fortalecimento da democracia. Segundo ele, o voto impresso não substitui o sistema eletrônico, mas o complementa. O parlamentar afirmou que a medida cria um mecanismo físico de verificação capaz de aumentar a confiança da população e reduzir desconfianças que, em alguns casos, têm sido alimentadas por falta de transparência. Flávio Bolsonaro ressaltou ainda que o Brasil possui um dos sistemas eleitorais mais rápidos e eficientes do mundo, mas que isso não impede o aprimoramento constante. Para ele, transparência nunca é demais quando se trata do voto do cidadão.
Com a aprovação na Comissão de Direitos Humanos, a proposta será transformada em projeto de lei e seguirá para análise em outras comissões temáticas do Senado. O texto ainda precisará passar pelo plenário da Casa antes de seguir para a Câmara dos Deputados, onde também será debatido. Caso aprovado nas duas Casas e sancionado pela Presidência da República, o projeto modificará a Lei das Eleições para autorizar o uso do voto impresso de forma experimental, cabendo ao Tribunal Superior Eleitoral definir as regras técnicas e os locais de aplicação.
A proposta reacende um debate antigo no país. Para os defensores, o voto impresso traria mais segurança e credibilidade ao processo eleitoral, permitindo ao eleitor maior confiança no resultado. Já os críticos alertam para os riscos de quebra do sigilo do voto e o aumento dos custos de implementação, além de possíveis atrasos na apuração. Apesar das divergências, o tema volta a ocupar espaço nas discussões políticas em Brasília, refletindo a busca constante por mecanismos que ampliem a transparência e o diálogo entre instituições e sociedade.
A decisão da Comissão de Direitos Humanos do Senado marca um novo capítulo na história das urnas brasileiras. Se avançar, a proposta poderá representar uma mudança significativa na forma como o país acompanha e confere suas eleições, unindo tecnologia, transparência e o desejo de uma democracia cada vez mais confiável.






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