
O Omeprazol, um dos medicamentos mais usados no tratamento de gastrite, refluxo e úlceras, está novamente no centro das discussões médicas. Pesquisas recentes apontam que o uso contínuo do remédio pode estar associado a um risco maior de demência, especialmente em pessoas idosas.
O que mostram os estudos
De acordo com um estudo publicado na revista Neurology, da American Academy of Neurology (2023), o uso prolongado dos chamados inibidores da bomba de prótons (IBPs), grupo que inclui Omeprazol, Pantoprazol e Esomeprazol, pode estar relacionado a um aumento de até 33% no risco de demência entre pessoas com mais de 65 anos.
Os pesquisadores acompanharam mais de 5,7 mil voluntários com idade média de 75 anos. Aqueles que fizeram uso do medicamento por mais de quatro anos e meio apresentaram maior probabilidade de desenvolver sintomas de declínio cognitivo, em comparação com quem não utilizou o fármaco de forma contínua.
Outro levantamento, publicado pelo Journal of the American Geriatrics Society (2016), observou resultados semelhantes. O estudo associou o uso frequente de IBPs à redução da vitamina B12, nutriente essencial para o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. A deficiência dessa vitamina, segundo a Mayo Clinic, está entre os fatores que podem contribuir para perda de memória e alterações cognitivas.
Por que isso pode acontecer
De acordo com o portal Drauzio Varella, o uso prolongado de Omeprazol pode interferir na absorção de nutrientes importantes, como vitamina B12, cálcio e magnésio. A falta desses elementos pode afetar diretamente o sistema nervoso e causar sintomas como formigamento, fraqueza e lapsos de memória.
Pesquisas experimentais também levantam a hipótese de que o uso contínuo possa alterar o metabolismo de proteínas cerebrais, como a beta-amilóide, relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer. No entanto, os estudos em humanos ainda são inconclusivos.
O que ainda não se sabe
Apesar das associações observadas, não há provas de que o Omeprazol cause demência de forma direta. A maioria das pesquisas é observacional, o que significa que mostram uma correlação, mas não confirmam que o medicamento seja a causa.
Além disso, fatores como idade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares também podem aumentar o risco de demência e estão presentes em boa parte dos usuários de Omeprazol.
Recomendações para o uso diário
Médicos alertam que o uso prolongado deve ser avaliado com cuidado. Algumas orientações importantes incluem:
Revisar periodicamente com o médico a necessidade de continuar tomando o medicamento. Avaliar a possibilidade de reduzir a dose, fazer pausas ou adotar medidas não farmacológicas, como ajustes na alimentação e no horário das refeições. Evitar a automedicação, mesmo que o remédio pareça inofensivo.
Fontes e referências
Neurology, American Academy of Neurology (2023)
Journal of the American Geriatrics Society (2016)
Mayo Clinic – Deficiência de vitamina B12 e funções cognitivas
Harvard Health Publishing – “Heartburn drugs and dementia risk”
Drauzio Varella – “Os riscos de tomar Omeprazol por muito tempo”






Deixe um comentário