
O governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se recusou a fornecer suporte das forças federais em uma grande operação de combate à facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo Castro, ao menos três pedidos feitos pelo estado para mobilização e equipamentos federais foram negados, o que teria obrigado a administração estadual a realizar a megaoperação apenas com suas próprias forças.
De acordo com o governador, os pedidos recusados incluíam apoio das Forças Armadas, como blindados ou pessoal especializado, e a condição imposta pelo Palácio do Planalto seria de que fosse decretada uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para que os militares pudessem atuar. “Não foram pedidas desta vez porque já tivemos três negativas. Então já entendemos a política de não ceder”, disse Castro em entrevista coletiva.
A operação, que tem como foco as comunidades dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, visou cerca de 100 lideranças da facção no estado. Conforme o governo estadual, mais de 50 pessoas foram presas no âmbito da ação.
O secretário de Segurança Pública do Rio também comentou o tema, afirmando que o Estado “não tem condições de enfrentar sozinho” o crime organizado e que a falta de apoio federal agrava a situação de “estado de guerra” nas favelas dominadas pela facção.
Por sua vez, nota oficial do governo federal divulgada anteriormente afirmava que o governo “estará presente no Rio de Janeiro, ajudando de todas as formas possíveis a voltar à normalidade, a combater o crime organizado e os milicianos”. Segundo o Palácio do Planalto, o objetivo seria “compartilhar esforços e buscar soluções conjuntas” com o governo fluminense.
A divergência evidencia um confronto institucional sobre competências e cooperação na área de segurança pública. Para Cláudio Castro, “o Rio de Janeiro está sozinho nessa guerra”. Analistas apontam que a mobilização contra o Comando Vermelho exige recursos de inteligência, logística e articulação intergovernamental fatores que, segundo o governo estadual, dependem de uma atuação federal mais incisiva.
Com o embate público, cresce a pressão para que o governo federal esclareça se de fato houve negativa formal aos pedidos do Rio e, em caso afirmativo, quais os motivos que levaram à recusa
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