A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou nesta quinta-feira (30) a criação de cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias nos cursos de graduação e pós-graduação. A decisão foi aprovada por 31 votos a favor e uma abstenção, mas vem gerando forte repercussão e críticas quanto aos critérios, à execução e à real necessidade da medida.

O projeto determina a reserva de 2% das vagas de cada curso para esse público. Apesar de defendida por parte do Conselho Universitário como uma política de “reparação histórica”, a proposta tem sido vista por muitos docentes e estudantes como uma decisão precipitada e ideológica, sem base técnica ou estudos concretos que justifiquem uma nova divisão de vagas.

Críticos argumentam que a medida reforça o excesso de políticas identitárias dentro da universidade e desvia o foco do que realmente deveria ser prioridade: a melhoria da qualidade do ensino, o investimento em pesquisa e a recuperação da infraestrutura dos campi. A UFRJ enfrenta falta de recursos, prédios deteriorados e laboratórios em condições precárias, mas optou por ampliar cotas em vez de resolver problemas estruturais que afetam todos os alunos.

Outro ponto levantado é a dificuldade prática para comprovar quem de fato se enquadra como pessoa trans, travesti ou não-binária. Sem um mecanismo claro de identificação, há risco de fraudes e de uso indevido das vagas. Além disso, especialistas lembram que já existem cotas sociais e raciais que contemplam boa parte dos grupos em situação de vulnerabilidade, o que torna a criação de novas cotas uma medida redundante e politizada.

Para opositores da decisão, a universidade deveria promover igualdade de oportunidades com base em mérito e competência, não em critérios de identidade de gênero. Segundo eles, o papel da UFRJ é garantir ensino de qualidade e liberdade acadêmica, não atuar como instrumento de agendas ideológicas.

Mesmo com os alertas, a proposta foi aprovada e será aplicada nos próximos editais de ingresso. A decisão insere a UFRJ entre as instituições públicas que vêm adotando políticas cada vez mais segmentadas, gerando debate sobre até que ponto a inclusão por meio de cotas não está se transformando em um mecanismo de exclusão e divisão.

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