
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, mantém há mais de dois meses parado o pedido do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A ausência de decisão reacendeu críticas sobre a lentidão e a falta de transparência em processos conduzidos pelo magistrado.
O requerimento foi protocolado em 19 de agosto, e desde então não houve qualquer despacho. O caso contrasta com outros pedidos semelhantes que já foram analisados por Moraes em prazos muito menores, levantando questionamentos sobre a isonomia e a coerência das decisões dentro da Suprema Corte.
Especialistas apontam que o episódio evidencia o quanto a morosidade judicial pode comprometer a imagem do STF, especialmente quando envolve figuras públicas de grande repercussão. Para muitos, o silêncio de Moraes transmite a impressão de seletividade e reforça a percepção de que a Corte age de forma política em determinados casos.
O deputado Nikolas Ferreira, aliado de Bolsonaro, afirmou em redes sociais que a demora é “injustificável” e que o direito de visita não deveria ser tratado como um privilégio. Já apoiadores do ministro argumentam que ele tem autonomia para analisar o pedido no tempo necessário.
Apesar disso, o fato de não haver justificativa oficial da assessoria do ministro ou da própria Corte sobre o motivo do atraso contribui para o desgaste institucional. Em um Estado democrático de direito, o princípio da razoável duração do processo é garantia constitucional, e sua violação pode abrir precedentes preocupantes.
Em meio a um cenário de polarização, atitudes como essa acabam ampliando o debate sobre os limites de atuação do Supremo e sua relação com o poder político. O caso de Nikolas e Bolsonaro, portanto, vai além de uma simples visita torna-se símbolo da necessidade de mais celeridade, transparência e coerência nas decisões judiciais do país.






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