O conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Guilherme Antonio Maluf, defendeu a criação de um orçamento específico para fortalecer a política de combate à hanseníase no estado. A proposta foi apresentada durante uma reunião da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do TCE-MT, presidida por ele.

Maluf chamou a atenção para o fato de que Mato Grosso apresenta uma das maiores taxas de hanseníase do país, chegando a números até 600% acima da média nacional. Segundo o conselheiro, isso demonstra a urgência de tratar o tema com prioridade e planejamento.

“Não podemos aceitar que uma doença antiga e curável ainda avance por falta de estrutura e gestão. Precisamos de um orçamento claro, exclusivo e permanente para o combate à hanseníase”, afirmou Maluf.

Proposta com foco em eficiência e transparência

O conselheiro sugeriu que o governo estadual e os municípios criem rubricas orçamentárias exclusivas para as ações de combate à doença, evitando que os recursos fiquem misturados com outras áreas da saúde. Essa medida, segundo ele, permitirá mais controle, eficiência e transparência na aplicação do dinheiro público.

Maluf também destacou a importância de modernizar os sistemas de informação da saúde, com a adoção de formulários eletrônicos que unifiquem os dados dos pacientes. Isso facilitaria o diagnóstico precoce, o acompanhamento do tratamento e o monitoramento dos resultados.

Além disso, o conselheiro defendeu que os critérios atuais de repasse de recursos aos municípios, que hoje levam em conta o “índice de cura”, sejam revistos. Para ele, esse modelo penaliza os municípios com mais casos, que precisam justamente de mais investimentos para reduzir a incidência da doença.

Compromisso com a saúde pública e o social

Guilherme Maluf ressaltou que a hanseníase não é apenas um problema de saúde, mas também uma questão social, que afeta a dignidade e a inclusão das pessoas diagnosticadas. Ele defende que o tema seja tratado como prioridade de Estado, com a união entre o TCE-MT, a Assembleia Legislativa e as secretarias de saúde.

“O combate à hanseníase precisa sair do discurso e entrar no orçamento. É com recursos bem aplicados que vamos garantir diagnóstico, tratamento e qualidade de vida para quem mais precisa”, completou o conselheiro.

O TCE-MT também pretende propor, junto à Assembleia Legislativa, a inclusão dessa pauta no orçamento estadual de 2026. Além disso, o tribunal lançou recentemente o livro “Hanseníase no Brasil: Mato Grosso em Foco”, que reúne estudos e propostas para enfrentar o problema de forma mais eficaz em todo o estado.

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