
Durante um ato em Santa Catarina, ativistas de esquerda afirmaram que, na megaoperação realizada no Rio de Janeiro, “2.500 policiais subiram o morro para tirar vidas” e que crianças e trabalhadores teriam sido torturados e executados após fugirem para a mata. Essas acusações, proferidas em tom dramático e repetidas em redes e palanques, não resistem à verificação dos fatos divulgados pelas autoridades: a operação, de fato, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e empregou blindados, helicópteros e drones, mas teve como objetivo declarado o combate ao eixo do crime organizado que atuava nos Complexos do Alemão e da Penha.
O que as investigações preliminares e os relatórios periciais tornaram público até agora é distinto do roteiro alegado pelos manifestantes. Das dezenas de mortos já identificados, a polícia e o IML informaram que a grande maioria apresentava antecedentes criminais, incluindo mandados pendentes e histórico por homicídio, tráfico e participação em organização criminosa. Esses dados desmontam a narrativa simplista de que a operação teria sido um ataque indiscriminado a “trabalhadores e crianças”.
Isso não significa que questões sérias não mereçam investigação, mas convém distinguir denúncia politizada de dado apurado. Transformar uma operação complexa de segurança pública em espetáculo emocional, sem considerar a identificação, a perícia necroscópica e a contextualização criminal apresentada pelas autoridades, é manobra intelectual que pouco contribui para a verdade e muito auxilia a polarização. As versões inflamadas, repetidas sem checagem em palanques e comícios, funcionam como munição retórica, não como prova.
Em suma, a crítica legítima ao uso excessivo da força ou a demandas por transparência deve ser feita com base em fatos e laudos. O que se viu na boca de algumas ativistas em Santa Catarina foi, na melhor das hipóteses, uma narrativa sensacionalista, e, na pior, uma instrumentalização política de imagens e rumores que as apurações oficiais até agora não corroboram. Quem defende o estado de direito deve exigir respostas claras das autoridades e também recusar a transformação de rumores em vereditos públicos.
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