
Em meio à repercussão da maior ação policial já realizada no estado do Rio de Janeiro, a operação denominada “Contenção”, que deixou 121 mortos, dentre eles quatro agentes, o governo federal avaliou se deveria oferecer algum tipo de apoio aos familiares das vítimas da intervenção.
A proposta ganhou força com o posicionamento da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que defendeu que a União tem responsabilidade de prestar suporte formal a parentes de todos os falecidos durante operações de segurança pública, independentemente de qualquer vínculo com o crime.
Por outro lado, integrantes do Palácio do Planalto manifestaram cautela. A preocupação reside no fato de que tal iniciativa pudesse ser interpretada pelo público como uma aproximação indevida entre o Estado e organizações criminosas ou como indício de leniência frente ao crime organizado.
Durante a última quinta-feira, dia 30, a ministra Evaristo esteve no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, para ouvir relatos de moradores. A visita ocorreu em conjunto com a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, em meio à pressão de movimentos sociais por responsabilização dos órgãos de segurança e atendimento emergencial aos familiares das vítimas.
A operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, cumpriu 160 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho e registrou combates que envolveram explosões e uso de drones.
Diante desse contexto, a tendência é que o governo federal opte por não avançar com a proposta de assistência direta, prevendo que eventuais ações de reparação dependam do governo estadual, responsável pela coordenação da operação.
A situação reacende o debate sobre segurança pública e direitos humanos no país, mostrando que mesmo ações consideradas sucessos operacionais trazem consigo desafios sociais e institucionais complexos, que exigem não apenas força policial, mas também estratégias de inclusão, responsabilização e suporte às comunidades atingidas.






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