
Em meio a uma grave crise financeira e de gestão, médicos cooperados da Unimed Cuiabá protocolaram um pedido formal para que seja convocada uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de destituir a atual diretoria da cooperativa. O movimento ocorre após a divulgação de um balanço que aponta um prejuízo de aproximadamente R$ 400 milhões, gerando forte insatisfação entre os profissionais que integram a entidade.
O documento, assinado por cerca de 350 cooperados, solicita que a AGE trate de sete pontos principais: a destituição da Diretoria Executiva e do Conselho de Administração por votação secreta, a anulação da aprovação do balanço contábil de 2022, a realização de uma nova auditoria independente das contas, além da gravação integral da assembleia como forma de garantir transparência a todo o processo.
As críticas se intensificaram após a auditoria interna apontar falhas e inconsistências nos demonstrativos financeiros, o que levou os cooperados a exigirem mais clareza sobre a real situação econômica da Unimed Cuiabá. A atual diretoria, presidida por Carlos Bouret, nega irregularidades e alega que o prejuízo seria resultado de decisões tomadas pela gestão anterior, comandada por Rubens Carlos de Oliveira Júnior. Este, por sua vez, chegou a ser preso em outubro de 2024 durante a Operação Bilanz, da Polícia Federal, que investigava supostos crimes de gestão fraudulenta.
Médicos que participam do movimento afirmam que foram mantidos à margem das decisões estratégicas e agora buscam retomar o controle da cooperativa, que reúne mais de 1.200 profissionais em Cuiabá e região. Eles defendem que a renovação da diretoria é essencial para restabelecer a credibilidade da instituição e evitar que a crise comprometa os atendimentos e contratos mantidos com pacientes e hospitais.
A situação preocupa também o setor público e entidades representativas, já que a Unimed Cuiabá é uma das principais operadoras de planos de saúde da capital e presta serviços a milhares de pessoas. O risco de instabilidade na cooperativa pode afetar diretamente o sistema de saúde suplementar e gerar impactos indiretos na rede pública.
Diante desse cenário, cresce o consenso entre os cooperados de que a única saída é garantir total transparência, auditoria externa e uma nova direção comprometida com a ética e a sustentabilidade financeira. A convocação da assembleia, portanto, representa não apenas um movimento de insatisfação, mas uma tentativa concreta de salvar uma instituição que é referência na medicina cuiabana e que, neste momento, enfrenta um dos maiores desafios de sua história.






Deixe um comentário