O Senado Federal instalou nesta terça-feira (4) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que vai investigar a atuação de facções criminosas, milícias e suas possíveis ligações com agentes públicos. O colegiado foi criado após meses de pressão política e contou com a assinatura de 33 senadores, superando o número mínimo necessário.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente da comissão, enquanto o senador Sergio Moro (União-PR) assumiu a relatoria. A escolha de nomes com posições políticas distintas promete marcar os debates e aumentar o interesse sobre os rumos das investigações. A CPI terá prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogada, e vai concentrar esforços em mapear as fontes de financiamento e a estrutura de poder das principais organizações criminosas do país.

Durante a sessão de instalação, Contarato afirmou que pretende conduzir os trabalhos “com equilíbrio, transparência e responsabilidade”, destacando que o combate ao crime organizado “precisa ser uma pauta de Estado, não de governo”.

A criação da CPI ganhou força após sucessivas operações policiais em diversos estados, que expuseram o avanço territorial de facções e a influência crescente do crime sobre comunidades inteiras. Parlamentares de diferentes partidos defenderam a necessidade de uma apuração ampla e rigorosa, apontando falhas na política de segurança pública e a fragilidade das fronteiras.

A escolha de Fabiano Contarato, do PT, para presidir a CPI levantou questionamentos dentro e fora do Senado, já que a bancada petista não apoiou a abertura da comissão no momento de sua criação. A ausência de votos e assinaturas do partido na fase inicial contrasta com o protagonismo que agora assume, gerando críticas sobre coerência política e a real disposição do PT em enfrentar, de forma independente, o avanço do crime organizado no país.

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