
A COP-30, conferência do clima marcada para novembro em Belém do Pará, começa a sofrer um esvaziamento antes mesmo de começar. Após Donald Trump anunciar que os Estados Unidos não enviarão representantes do alto escalão ao encontro, o presidente da Argentina, Javier Milei, também comunicou que não participará do evento climático.
Os dois anúncios acenderam um sinal de alerta: a direita mundial dá sinais de que não pretende participar da conferência, que deveria reunir mais de 190 países para discutir metas de redução de emissões e financiamento ambiental.
Para especialistas em geopolítica e economia ambiental, o movimento reflete o desgaste da imagem das conferências climáticas, que, segundo eles, “se transformaram em grandes palcos políticos com poucos resultados concretos”.
“Há uma percepção crescente de que a COP deixou de ser um espaço técnico e passou a funcionar como uma arena de discursos ideológicos”, avalia um analista ouvido pela imprensa internacional. Segundo ele, o evento em Belém pode “reforçar divisões políticas globais” e não necessariamente gerar compromissos efetivos.
Apesar disso, o governo brasileiro aposta na COP-30 como vitrine internacional da Amazônia e do protagonismo do Brasil na pauta ambiental. O presidente Lula espera atrair líderes mundiais e garantir novos fundos de financiamento para preservação da floresta.
Mas o clima político que se forma ao redor do evento aponta para um cenário de tensão: enquanto governos progressistas reforçam o discurso da urgência climática, parte da comunidade internacional observa o encontro com desconfiança — e o descreve, sem rodeios, como “mais uma encenação política travestida de preocupação ambiental.”






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