
A declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de que o governo é “extremamente contra” classificar facções criminosas como organizações terroristas, gerou forte repercussão e críticas entre especialistas em segurança pública e parte da população. A fala, feita em meio ao avanço da criminalidade em diversos estados, expõe uma contradição preocupante no discurso oficial de combate ao crime organizado.
Segundo Gleisi, enquadrar grupos como o Comando Vermelho e o PCC como terroristas “abriria margem para intervenção internacional” no país. Ela ainda argumentou que o Brasil já possui legislação suficiente para enfrentar o crime, bastando uma melhor articulação entre União, estados e municípios.
Mas a reação à fala foi imediata. Para muitos, o governo demonstra resistência em reconhecer a gravidade das facções, que há anos atuam com estrutura paramilitar, domínio territorial, armamento pesado e métodos de intimidação típicos de grupos terroristas.
Críticos apontam que a posição do governo é ideológica e que insistir em não classificar facções como terroristas seria ignorar a realidade nas ruas, onde comunidades inteiras vivem sob o controle de grupos que impõem regras, executam rivais e desafiam o Estado abertamente.
Em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza, operações policiais revelam a complexidade e o poder financeiro dessas organizações, que movimentam bilhões em atividades ilegais e impõem medo à população.
Enquanto Gleisi Hoffmann tenta minimizar o impacto da proposta, a oposição afirma que o governo está passando a mensagem errada, num momento em que a sociedade pede respostas duras contra o crime organizado.
Para especialistas, o argumento de “risco de intervenção estrangeira” é infundado. A legislação antiterrorismo brasileira, segundo juristas, é interna e não abre precedentes automáticos para interferência externa. “É um discurso político, não jurídico”, resumiu um analista ouvido por portais de segurança pública.
Ao dizer que o governo é “extremamente contra”, Gleisi não apenas expressa uma posição técnica, mas revela uma decisão política clara: a de evitar qualquer tipo de endurecimento nas leis que possam ampliar o poder do Estado no combate às facções. Na prática, essa escolha pode manter o país vulnerável, com leis brandas diante de criminosos cada vez mais organizados e violentos.
A fala da ministra acendeu um debate essencial: até quando o governo vai se recusar a tratar as facções com o rigor que elas merecem? Enquanto o discurso permanece preso a questões ideológicas, quem paga o preço é o cidadão comum, que continua refém do medo e da violência que já tomaram conta de muitas regiões do país.
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