O segundo dia da COP30, em Belém, acabou transformando o evento que prometia ser símbolo da liderança climática do Brasil em um retrato da falta de planejamento e da contradição do governo Lula. O encontro internacional, que deveria consolidar o país como protagonista nas discussões ambientais, ficou marcado por invasões, protestos e até falta de banheiros.

A confusão na chamada “Blue Zone”, área restrita a delegações e representantes oficiais, escancarou a desorganização da estrutura montada para o evento. Manifestantes conseguiram romper barreiras de segurança e causar tumulto, o que gerou bloqueios improvisados e ferimentos em agentes. A situação expôs o despreparo de uma conferência que, ironicamente, se apresenta como vitrine da capacidade brasileira de coordenar a agenda verde mundial.

Enquanto isso, autoridades usavam o palco para discursos políticos. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, chegou a classificar a ausência de Donald Trump como “abominável”, mas a maior crítica ficou para a própria condução do evento. Faltou água, higiene e até banheiros adequados. Delegações estrangeiras relataram filas extensas e instalações interditadas, manchando a imagem do Brasil perante a comunidade internacional.

O contraste entre a retórica e a realidade ficou evidente. O governo Lula fala em sustentabilidade, em defesa da Amazônia e em compromisso com o planeta, mas não conseguiu garantir o básico em uma conferência que deveria simbolizar exatamente isso. O descuido com a organização da COP30 acabou refletindo um problema mais amplo: a distância entre o discurso ambiental e a eficiência administrativa.

No fim, o evento que pretendia colocar o Brasil como exemplo global de gestão climática acabou expondo falhas que o governo preferia esconder. Se nem o próprio país consegue organizar um encontro sobre meio ambiente sem caos e improviso, como poderá liderar a transição verde que promete ao mundo?

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