O Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT/Ebserh) viveu nesta segunda-feira (17) um momento histórico. Humberto Gessinger Nascimento dos Santos, de 27 anos, iniciou o internato de Medicina e tornou-se o primeiro estudante com Paralisia Cerebral a ingressar nessa etapa dentro da instituição.

Emocionado, Humberto relembrou sua trajetória, marcada por esforço e determinação. “Logo quero ser médico e voltar como professor. Minha história é muito estudo e uma paixão enorme por ajudar as pessoas.” Ele conta que a escolha pela Medicina nasceu de uma experiência pessoal. “Acredito que um dia eu precisei ser acolhido e muitas vezes tive dificuldade de encontrar esse acolhimento. Por isso quero ajudar como fui ajudado.”

A atual gestão da UFMT vem adotando ações de acolhimento a estudantes com deficiência. Mesmo diante de limitações estruturais, a reitora recebeu o pai do estudante e reafirmou o compromisso institucional em oferecer suporte. “Nossa gestão está pronta para acolher e garantir melhores condições de aprendizagem para estudantes com deficiência. A UFMT ainda não dispõe de todos os equipamentos e ferramentas necessários, mas oferece acolhimento e atendimento psicossocial aos estudantes que precisam desse suporte.”

No início da graduação, Humberto enfrentou desafios significativos, especialmente devido à falta de práticas inclusivas, como no estudo da anatomia. Ele relata que, com o tempo e com a mudança de gestão, seu percurso acadêmico passou por adaptações importantes, permitindo que ele avançasse com mais autonomia. “É uma relação mais humana, mais pessoal com as minhas necessidades”, destaca.

O superintendente do HUJM-UFMT/Ebserh, professor Reinaldo Gaspar da Mota, celebrou o marco e reforçou o compromisso com a inclusão. “É muito importante a vinda do Humberto. Isso faz parte de um alinhamento entre o Governo Federal, a UFMT e a Ebserh para fortalecer a inclusão social. Ele se superou na graduação e encontrará aqui um hospital aberto, receptivo, pronto para oferecer condições para seu desenvolvimento.”

A trajetória do estudante também inclui reprovações, que ele encara como parte natural do processo formativo. Para seguir adiante, Humberto conta com a força da fé, da família e de amigos que já trilharam o mesmo caminho. Apaixonado por pesquisa, já apresentou trabalhos em congressos de neurocirurgia e se prepara para apresentar mais um artigo nos próximos dias.

Aos futuros médicos, ele deixa um conselho baseado em sua própria jornada. “Tenha um grupo de apoio família, amigos, espiritualidade. Busque um acalento. Viva. Faça um esporte, tire tempo para você.”

Humberto finaliza com um recado sobre a importância da humanização no cuidado. “Ame seus pacientes. Eles estão vulneráveis e querem ser amados. O amor vence todas as barreiras.”

O início do internato representa um novo capítulo em sua caminhada e inspira toda a comunidade universitária ao mostrar que a inclusão transforma vidas, fortalece instituições e amplia horizontes para as próximas gerações.

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