A disputa judicial entre Chico Buarque e Ratinho ganhou novo capítulo nos últimos dias. Após o oficial de justiça não encontrar o apresentador em sua residência no Paraná, a equipe do cantor solicitou que a intimação seja realizada diretamente no SBT, onde Ratinho costuma gravar seus programas. A medida foi tomada porque, segundo o relatório da própria Justiça, familiares informaram que Ratinho “só é encontrado na emissora”.

O processo começou depois que o apresentador afirmou que Chico Buarque, assim como outros artistas de esquerda, teria se beneficiado de verbas da Lei Rouanet. A fala sugeria que o engajamento político do cantor estaria ligado ao recebimento de recursos públicos. Chico negou categoricamente e acionou a Justiça para que Ratinho apresente provas ou se retrate, já que o artista afirma nunca ter recebido dinheiro da Rouanet ou de governos ligados à esquerda.

O caso revela um fenômeno já conhecido no debate político brasileiro: a tentativa contínua de transformar figuras culturais em símbolos de um lado ou de outro, usando acusações sem fundamento como munição para criar narrativas convenientes. Ao insinuar que artistas “comem caviar e vivem às custas do Estado”, alguns setores da esquerda tentam ocupar o papel de vítimas perseguidas, enquanto outros grupos usam esse mesmo discurso para atacar adversários ideológicos. O resultado é um ambiente em que a cultura vira instrumento de guerra política, e não espaço de diálogo.

A Justiça agora tenta colocar ordem no cenário. Liberdade de expressão não pode ser confundida com ataques pessoais travestidos de opinião. Quando não há prova, a acusação vira difamação. Ao buscar responsabilização judicial, Chico Buarque sinaliza que a política cultural brasileira precisa deixar de ser palco de militância vazia e voltar a ser baseada em fatos. O desfecho do caso depende da citação formal de Ratinho, que deve finalmente receber a notificação se a Justiça for até o SBT. Até lá, permanece a reflexão sobre o uso político da arte e sobre o quanto as narrativas da esquerda continuam instrumentalizando a cultura na tentativa de moldar a opinião pública.

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