A categoria dos caminhoneiros anunciou, nesta terça-feira (2), que realizará uma paralisação nacional a partir de quinta-feira, dia 4 de dezembro. O comunicado foi feito pelo representante Chicão Caminhoneiro, identificado como Francisco Dalmora Burgardt, durante encontro em Brasília ao lado do ex-desembargador Sebastião Coelho, que afirmou prestar apoio jurídico ao movimento.

Chicão declarou que o grupo protocolará ainda hoje um documento que dará base legal à mobilização. Segundo ele, a paralisação será acompanhada por assessoria jurídica para garantir que todas as ações respeitem os limites da lei. O ex-magistrado, que tem se aproximado de movimentos de rua nos últimos anos, afirmou que acredita no êxito da mobilização e que o protesto será “vitorioso para toda a categoria”.

A convocação destaca que o ato não tem ligação partidária e, segundo seus organizadores, é motivado por insatisfações acumuladas entre os caminhoneiros, como baixa remuneração, condições de trabalho consideradas precárias, insegurança nas estradas e descumprimento de regras por parte de contratantes do setor. Entre as reivindicações mencionadas por apoiadores da paralisação estão estabilidade contratual, revisão do marco regulatório do transporte de cargas, melhorias na segurança rodoviária e proposta de aposentadoria especial para motoristas com extensa trajetória profissional.

Apesar do anúncio, a mobilização não é unânime dentro da categoria. Entidades representativas como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmam não ter sido consultadas e dizem não reconhecer a paralisação como um movimento oficial. Lideranças tradicionais, como Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, também declararam que a convocação não reflete a posição da classe e criticaram o uso de redes sociais como principal forma de mobilização, reforçando que uma paralisação nacional deve passar por assembleias e debate coletivo.

O anúncio reacende lembranças da greve de 2018, quando a paralisação dos caminhoneiros provocou desabastecimento de combustíveis e impactos significativos em todo o país. No entanto, especialistas afirmam que ainda é incerto o alcance do movimento previsto para o dia 4, já que grande parte das entidades do setor se mantém à margem do protesto.

Autoridades acompanham o caso com atenção, avaliando os direitos de organização da categoria, mas também ressaltando a necessidade de garantir o fluxo nas rodovias e evitar prejuízos à população caso o ato ganhe força.

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