Trabalhadores da Locar suspendem atividades em meio a impasse judicial e administrativo sobre coleta de lixo em Várzea Grande

Várzea Grande, MT — Trabalhadores da empresa Locar Saneamento Ambiental decidiram cruzar os braços nos últimos dias em Várzea Grande, em um movimento que acentua ainda mais o impasse envolvendo a prestação de serviços de coleta de resíduos no município. A paralisação ocorre em um contexto de disputa judicial e administrativa entre a Locar e a Prefeitura local, que tenta reorganizar a contratação do serviço essencial. 

A mobilização dos empregados, segundo sindicalistas ouvidos por representantes da imprensa regional, acontece em meio a uma nova decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que reviveu a controvérsia sobre qual empresa deve realizar a coleta de lixo na cidade. No início da semana, o presidente do TJMT revogou temporariamente uma liminar que suspendia a atuação da Locar, abrindo espaço para que a prestadora retome a operação enquanto o mérito da disputa judicial é discutido nos tribunais. 

Os profissionais da limpeza urbana afirmam que a indefinição jurídica — somada a debates sobre atrasos nos pagamentos e à negociação de um contrato emergencial com um consórcio alternativo — tem gerado insegurança quanto às condições de trabalho e à garantia de direitos trabalhistas. Por esse motivo, parte da categoria optou por suspender suas atividades por tempo indeterminado. 

Do lado da administração municipal, a intenção é assegurar que a coleta de lixo continue sendo realizada de maneira eficiente e regular, mesmo diante de oscilações judiciais. A Prefeitura defende a contratação emergencial de outra empresa como forma de mitigar a crise que, nos últimos dias, resultou em relatos de acúmulo de resíduos em vários bairros da cidade — situação que, segundo a gestão, representa risco à saúde pública. 

Já a Locar argumenta que continua cumprindo obrigações contratuais e que sua saída abrupta poderia agravar ainda mais os transtornos para a população. A empresa também afirma que busca receber valores devidos pelo município, que, segundo sua contabilidade, ultrapassariam milhões de reais em atrasos de pagamento. 

A mobilização dos trabalhadores e a instabilidade na prestação do serviço têm gerado preocupação entre moradores, que reclamam do acúmulo de lixo nas ruas. A situação segue tensa, com perspectivas de novas reuniões entre representantes sindicais, autoridades judiciais e gestores municipais nas próximas semanas, na tentativa de achar uma solução que concilie a regularização da coleta com a garantia dos direitos dos profissionais envolvidos.

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