Um vídeo obtido pelo portal Metrópoles mostra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli recebendo o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) e o empresário Luiz Pastore (Ibrame) em um encontro no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR) — local que virou centro de questionamentos sobre conduta ética de um dos integrantes da mais alta Corte do país. 

Nas imagens, registradas em 25 de janeiro de 2023, Toffoli aparece vestido de maneira informal — camiseta, bermuda e chinelos — aguardando o desembarque de Esteves e Pastore em um helicóptero de alto valor, associado ao banco de investimentos. O ministro cumprimenta os convidados com abraços e beijos no rosto, e os três aparecem depois conversando descontraidamente com copos nas mãos no jardim do resort. 

O episódio, divulgado pela colunista Andreza Matais, reforça a impressão de que o Tayayá tem sido utilizado por Toffoli como um espaço de encontros privados com figuras influentes do meio empresarial e financeiro — um padrão que levanta dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado e a apropriada separação entre vida social e atividade pública. 

Resort no centro de críticas e suspeitas

Funcionários do hotel, segundo a reportagem, tratam o local como “resort do Toffoli”, apesar de o ministro não constar oficialmente como proprietário. A estrutura inclui residências de alto padrão à disposição do ministro e de convidados, além de serviços exclusivos que, segundo os repórteres, indicam um tratamento diferenciado que ultrapassa o de mero hóspede. 

Outro ponto sensível revelado pelo Metrópoles é que o estabelecimento abriga um cassino com mesas de jogos de cartas e máquinas de apostas — práticas que, embora algumas modalidades (como vídeo-loterias) estejam em área cinzenta após decisões judiciais, incluem jogos de azar proibidos pela legislação brasileira. 

Desde dezembro de 2022, Toffoli teria passado cerca de 168 dias no resort, com custos de meio milhão de reais para a segurança custeada pelos cofres públicos, levantando ainda mais questionamentos sobre o uso de recursos oficiais em deslocamentos recorrentes a um local que suscita tantas interrogações. 

Repercussão política

O caso ganhou força no debate público e político. O Partido Novo anunciou o envio de uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a relação entre Toffoli e o Tayayá seja investigada formalmente. A legenda aponta que o teor das revelações demanda uma apuração mais profunda por parte das instâncias competentes. 

Críticos argumentam que encontros desse tipo alimentam a percepção de que magistrados podem estar demasiadamente próximos de interesses privados que, em muitos casos, podem ser afetados por decisões judiciais. Para adversários, isso põe em risco a confiança pública no STF. Outros setores, por sua vez, minimizam os fatos, defendendo que matérias jornalísticas como a da Metrópoles extrapolam críticas legítimas, confundindo vida social com ilegalidade — discurso que também vem ganhando espaço em análises publicadas por veículos alternativos. 

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