
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de autorizar uma operação da Polícia Federal para investigar acessos e possíveis vazamentos de dados fiscais de ministros e familiares gerou desconforto interno na Corte e acendeu alertas sobre o agravamento da crise institucional.
Segundo integrantes do tribunal, até magistrados considerados aliados demonstraram incômodo com a forma como a medida foi conduzida, apontando a falta de consulta prévia aos demais ministros. Para parte deles, a investigação não deveria ter sido aberta de ofício e caberia à Procuradoria-Geral da República encaminhar o caso ao presidente do STF, Edson Fachin, que estava de férias e era substituído por Moraes.
Nos bastidores, há receio de que a postura considerada mais ofensiva do ministro no inquérito dos vazamentos dificulte a recuperação da credibilidade da Corte, já abalada pelos desdobramentos da crise relacionada ao caso Banco Master. A avaliação é de que a decisão pode atingir a imagem do Supremo como instituição e reforçar a percepção de autodefesa entre seus membros.
A operação teve como alvo servidores da Receita Federal suspeitos de consultar e repassar informações sobre ministros e parentes — entre eles, a esposa de Moraes. A Procuradoria-Geral da República solicitou as medidas cautelares, enquanto a Polícia Federal busca esclarecer se as consultas tiveram motivação política ou financeira.
Além disso, ministros relataram um clima de desconfiança por desconhecerem a extensão das irregularidades investigadas. As críticas também se estendem à ligação do caso com o inquérito das fake news, aberto em 2019 e frequentemente questionado dentro do próprio STF por não ter prazo definido para conclusão






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