
Integrantes da base governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão articulando para barrar a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Frei Chico ocupa o cargo de vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que está no centro das investigações sobre fraudes nos descontos aplicados a benefícios previdenciários.
Apesar de o Sindnapi estar sob apuração, a base petista argumenta que a comissão não tem convocado outros diretores sindicais e, portanto, não haveria motivo para chamar Frei Chico neste momento. O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), titular da CPMI, afirmou que o foco deve recair sobre o presidente do sindicato, e que, se necessário, o vice-presidente poderia ser convocado posteriormente.()
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um esquema de descontos ilegais que causou um prejuízo estimado de R$ 6,5 bilhões entre 2019 e 2024. O Sindnapi recebeu R$ 77,1 milhões em contribuições de aposentados e pensionistas em 2024, mas muitos desses beneficiários afirmam não ter autorizado os descontos.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma série de medidas referentes ao Sindnapi, incluindo a realização de oitivas com representantes do INSS e do sindicato, além de uma inspeção nos sistemas e documentos do Ministério da Previdência, do INSS e da Dataprev. O objetivo é identificar os descontos feitos nos benefícios previdenciários, os repasses às entidades sindicais e a participação de servidores públicos nas irregularidades.
Enquanto isso, integrantes da base governista na CPMI tentam minimizar o envolvimento do Sindnapi e de Frei Chico nas investigações, buscando direcionar o foco para outras entidades e evitar que o irmão do presidente seja convocado para depor.
A CPMI do INSS continua sendo palco de intensas articulações políticas, com a oposição pressionando por maior transparência e responsabilização, enquanto a base governista busca proteger aliados e minimizar danos políticos






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