A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avança nas investigações de um esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários. A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu mandados de busca, apreensão e prisões temporárias em diversos estados, incluindo Sergipe, Distrito Federal e Goiás. Até o momento, oito pessoas foram presas, entre empresários, servidores públicos e intermediários suspeitos de atuar nas irregularidades.

As apurações apontam que o grupo se utilizava de documentos falsos, manipulação de informações e conluio interno para desviar recursos que deveriam atender à população. Somente na última fase da operação, bens no valor de R$ 12 milhões foram bloqueados, incluindo imóveis, veículos e contas bancárias.

Principais alvos com pedidos de prisão preventiva

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedidos de prisão preventiva para 20 investigados, com base em depoimentos, documentos e evidências. Entre eles:

Antonio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”) – Empresário e principal operador do esquema, atuava em associações que aplicavam descontos irregulares nos benefícios.

André Paulo Félix Fidelis – Ex-diretor de benefícios do INSS, acusado de facilitar fraudes internas.

Eric Douglas Martins Fidelis – Advogado e filho de André Fidelis, envolvido nas operações fraudulentas.

Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho – Ex-procurador-geral do INSS, apontado por autorizar irregularidades.

Cecília Rodrigues Mota – Advogada responsável por intermediar pagamentos de propina e operações ilegais.

Thaisa Hoffmann Jonasson – Mulher de Virgílio Filho, envolvida nas atividades ilícitas da rede.

Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira – Sócia de consultoria ligada à família de Virgílio Filho, participante do esquema.

Alexandre Guiamrães – Ex-diretor de governança do INSS, implicado nas irregularidades.

Rubens Oliveira Costa – Sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, atuava na gestão do esquema.

Romeu Carvalho Antunes – Filho de Antonio Carlos, envolvido na execução das fraudes.

Domingos Sávio de Castro – Empresário dono de empresas de telemarketing usadas para aplicar descontos ilegais.

Milton Salvador de Almeida Junior – Sócio de Antonio Carlos, responsável por operações financeiras ilícitas.

Adelinon Rodrigues Júnior – Operador de call center que auxiliava o grupo a cometer fraudes.

Alessandro Antonio Stefanutto – Ex-presidente do INSS, afastado após a operação “Sem Desconto”.

Geovani Batista Spiecker – Ex-diretor-substituto de benefícios do INSS, envolvido nas irregularidades.

Reinaldo Carlos Barroso de Almeida – Servidor afastado do INSS, implicado nas fraudes.

Vanderlei Barbosa dos Santos – Ex-diretor de Benefícios e Relacionamento, alvo de investigação.

Jucimar Fonseca da Silva – Ex-diretor de pagamentos de benefícios do INSS, afastado durante a operação.

Philipe Roters Coutinho – Agente envolvido nas operações do grupo, segundo relatórios da CPMI.

Maurício Camisotti – Empresário dono de grupo de associações que aplicavam fraudes contra aposentados.

O pedido de prisão preventiva foi aprovado por unanimidade na CPMI e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro André Mendonça avaliará a decisão.

Investigação e repercussão

A CPMI intensificou a fiscalização, convocando ex-ministros, ex-presidentes do INSS e dirigentes de órgãos de controle para prestar depoimentos. O relator alertou que os investigados podem responder por crimes graves, com penas que ultrapassam 30 anos, incluindo fraude previdenciária, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Durante sessão sigilosa, houve tensão quando o relator ameaçou dar voz de prisão a um delegado da PF por se recusar a responder sobre pontos sigilosos da investigação. A situação foi contornada após intervenção do presidente da CPMI e apresentação de habeas corpus pelo STF.

Panorama da investigação

Prisões confirmadas: 8 pessoas. Estados envolvidos: pelo menos 13, incluindo Sergipe, Distrito Federal e Goiás. Valores bloqueados: cerca de R$ 12 milhões. Perfil dos investigados: empresários de associações, servidores públicos e intermediários de benefícios.

A CPMI segue trabalhando para desmantelar o esquema, responsabilizar os envolvidos e reforçar a fiscalização sobre a Previdência Social, em uma investigação que já provoca repercussão política e judicial em todo o país.

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